Tesouros guardados no quintal

Postado por AP  |  26/04/2021

Um dos passeios mais comuns que organizamos, além do Louvre, é ir a Giverny visitar a casa e os jardins do pintor impressionista Claude Monet (1840-1926). Ou, então, a mansão de outro impressionista Auguste Rodin (1840-1917) em Meudon. Um passeio menos solicitado, mas no mesmo tema, ir até o casarão de Gustave Caillebotte (1848-1894) em Yerres. Detalhe, os três pertinho de Paris, num raio máximo de 80 km. Visita de um dia num bate e volta “artístico-rural”.

Já anota essas três dicas acima. Mas, e se, enquanto as fronteiras não forem abertas (e depois), olhássemos mais para o jardim da nossa casa? Com o confinamento foi o que fizemos. Jardim, sacada, cantinho das flores na sala. Não importa o tamanho, mas a importância que passamos a dar para o que tínhamos.

Com o turismo tem sido igual. O setor de viagens e outros se reinventam e acordam para um mundo mais sustentável. E, enquanto isso, a (boa) tendência é olhar para o local. Onde quer que esteja, muito provavelmente perto de você tem algum espaço com relevância natural, histórica, artística. Todas juntas. É mais do que hora de passarmos a conhecer e dar valor às riquezas do nosso quintal. Daí, quando voltar à Europa, vai se maravilhar com o que vê, mas também poderá se gabar da prata da casa.

 

No interior de São Paulo: Candido Portinari

Para citar um belo exemplo. Na região metropolitana de Ribeirão Preto (SP) está situada a casa de um dos artistas brasileiros de maior expressão nacional e internacional: Candido Portinari (1903-1962). Ela fica no município de Brodowksi, a 337 km de São Paulo. Lá viveu a família de imigrantes italianos Portinari no começo do século 20. Desde 1970, passou a ser o Museu Casa de Portinari e nos acolhe com ambiente interiorano e apresenta a história e algumas obras do pintor.

Sala de jantar no museu Casa de Portinari / Gian Claudio Biancuzzi

Na cidade natal Candido fez suas experiências artísticas antes e depois de se mudar para o Rio de Janeiro. No interior observou a vida no campo. Os trabalhadores na fazenda de café. Na casa onde cresceu fez uma capela para a avó, a capela da “nonna”. Atração única no museu. Quando a vó já não podia mais ir até a igreja, rezava em casa. Na parede, afresco dos santos. Seus rostos, a fisionomia dos membros da família.

A capela da "nonna" e seus afrescos / Leandro Lé

Considerado do movimento Modernista (1922-1930) na arte brasileira, Portinari usou técnicas distintas ao longo da vida. Mas seu tema de predileção sempre foi o homem brasileiro e as questões sociais do seu tempo. “Como deixar de fixar em meus quadros aquilo que fez parte de minha infância, de minha vida e a minha esperança de uma vida melhor para os homens que trabalham na terra?”, escreveu Portinari.

“O Museu Casa de Portinari tem como missão preservar, pesquisar e comunicar, para estudo e entretenimento, a casa onde viveu o pintor internacionalmente conhecido. E assim articular-se como um marco da memória da cidade e ser um polo de fomento de expressão artística”, pontua Cristiane Patrici, gerente do Museu Casa de Portinari.

 

Visita virtual gratuita Museu Casa de Portinari https://www.museucasadeportinari.org.br/TOUR-VIRTUAL/

 

Destino Brodowski

Alguns visitantes perguntam se a cidade com esse nome é mesmo no Brasil. Sim! Mas o teve em homenagem a um polonês. O engenheiro Alexander Brodowski que se mudou para lá em1894 para instalar a estação ferroviária local.

“Brodowski é daquelas cidades encantadora e hospitaleira e, ainda possui a tranquilidade e a singeleza dos tempos passados no seu dia a dia. As crianças brincam nas suas praças e ruas largas, os idosos batem um papo com os amigos nos portões das casas e se encontram principalmente na Praça Martin Moreira (Praça da Estação). O clima tropical de altitude proporciona sempre um céu azul inconfundível e clima agradável com seus ventos leves. E isso convida a todos para passeios ao cair da tarde pelo centro da cidade”, relata Raquel Schnorr turismóloga, mestre em desenvolvimento e Conselheira de Turismo de Brodowski.

 

Mais 15 km para continuar a apreciar Portinari: Batatais

No santuário do Bom Jesus da Cana Verde, além da arquitetura imponente e vitrais com refinada técnica na distribuição de cores, encontramos o maior acervo sacro do artista de Brodowski. Esses quadros relatam a via sacra. “Os tons das telas se alternam de acordo com o sofrimento vivenciado pelo Cristo. Destacam-se também trabalhos como “O Martírio de São Sebastião”, “Fuga para o Egito”, “O Batismo de Jesus”, entre outros. Chama a atenção também a pintura do altar mor, onde a face do Cristo parece iniciar uma nova fase no trabalho de Portinari, não seguindo a estética cubista dos demais trabalhos”, explica Luciano Dami comunicador social, secretário da Cultura e Turismo de Batatais entre 2017 e 2020.

Estima-se que Candido Portinari tenha produzido 4600 obras no total. A maioria delas faz parte de coleções particulares. Porém, podemos admirá-las no site www.portinari.org.br Esse acervo online faz parte do Projeto Portinari. Criado em 1979 pelo filho do artista, João Cândido Portinari.

 

E quando voltar a Paris, nos chame para reservar os melhores passeios aliando história, arte, natureza:

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+33 (0)6.17.91.66.65

 

Foto de abertura: fachada do Museu Casa de Portinari por Gian Claudio Biancuzzi


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